Nº 12/Ano01 –Dez/2008

EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE A CRISE E O VAREJO

Os efeitos da crise mundial no varejo brasileiro

A crise mundial deflagrada a partir do mercado financeiro norte-americano afetou o varejo brasileiro de forma concreta, basicamente, em quatro aspectos. O primeiro foi a redução de crédito, com impacto direto na venda de bens duráveis. O segundo diz respeito à incerteza em relação ao dólar, que gera cautela por parte dos varejistas quanto à composição de seus estoques e eventual desabastecimento de alguns itens. Também é possível citar a migração do consumidor para a compra à vista e, por fim, a diminuição de planos de investimentos, tais como fusões, aquisições e expansão.
Mas, até o momento, amortecidos pelos bons resultados anteriores, os varejistas ainda não foram diretamente afetados pela crise. Porém, é esperada uma modificação no padrão de consumo, que deverá migrar para produtos alimentícios e de conveniência, diminuindo o de bens duráveis.
Outra conseqüência é quanto aos investimentos em fusões, aquisições e expansão dos negócios, que devem ficar suspensos até uma melhor definição do cenário econômico internacional. Confira a seguir as principais notícias veiculadas pela imprensa sobre a crise e o varejo.

 

Pequeno varejo deve ser beneficiado pelos efeitos da crise mundial

A principal preocupação dos pequenos varejistas neste momento é com um possível desabastecimento de produtos importados no Natal, tendo em vista a incerteza dos importadores quanto ao comportamento do dólar no curto prazo.
Como o segmento industrial não pode contar exclusivamente com o grande varejo, a tendência é que sejam oferecidas melhores condições ao pequeno comércio. Por sua vez, o papel das grandes redes e lojas varejistas será de vender a prazos menores aos consumidores, equilibrando dessa forma os prazos já praticados pelos pequenos comércios.
Especificamente com relação às vendas no Natal, é possível avaliar que, certamente, os negócios não atingirão as expectativas levantadas há seis meses, sendo que os produtos brasileiros deverão substituir em grande parte os importados. Os empresários devem ser cautelosos quanto às compras para o estoque e a concessão de crédito.

Fonte: InfoMoney (4.11.2008)

 

Sistema de permutas deve crescer 30% com crise econômica

A escassez de crédito, provocada pela crise econômica mundial, poderá se tornar um grave problema para as pequenas e médias empresas. Muitos empresários estão repensando o planejamento para os próximos meses, uma vez que os bancos já estão sendo mais seletivos ao conceder empréstimos.

O atual cenário econômico aumenta a necessidade de manter dinheiro em caixa. Sendo assim, os empresários estão buscando novos caminhos e uma das alternativas pode ser o estímulo ao sistema de permutas. Muitos países exploraram essa possibilidade em momentos de crise, como a Argentina, que durante a crise econômica da década de 90 investiu no desenvolvimento do mercado de permutas. Atualmente, existem mais de 500 empresas gerenciadoras de permutas no país vizinho. Outro exemplo são os Estados Unidos, maior mercado de trocas do mundo. Por ano, mais de 350 milhões de negócios são realizados através do sistema de permutas.

Fonte: Revista Empreendedor (4.11.2008)

 

Queda na confiança do consumidor pode aumentar compras à vista

De acordo com o economista da ACSP - Associação Comercial de São Paulo,  Emílio Alfieri, uma queda na confiança do consumidor pode fazer com que as pessoas deixem de utilizar o crédito para fazer as compras e passem a pagar suas aquisições á vista. Por outro lado o economista lembra que caso a confiança não tenha sido afetada pela crise, o consumidor poderá continuar buscando crédito e até mesmo fazer compras com empréstimo mais caro. Alfieri ressalta também que, com receio de inadimplência, as financeiras estão mais exigentes na concessão de crédito, realizando seleção mais rigorosa e análise mais crítica do perfil do consumidor. 

Fonte:Revista Empreendedor (4.11.2008)

 

Varejo mostra desaceleração em outubro

As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) refletiram uma desaceleração do movimento do varejo em outubro. Os dados mostraram aumento de 4,5% no último mês em relação a igual período do ano passado, e queda de 3,4% na comparação com setembro.
Já o SCPC/Cheque registrou redução de 1,5% sobre outubro de 2007 e aumento de 11,3% sobre setembro.
Também a inadimplência do consumidor se manteve relativamente estável, conforme mostram os dados de Registros Recebidos e Cancelados pelo SCPC.
Os títulos protestados na capital tiveram queda de 33,8% em outubro, em comparação com o mesmo mês em 2007, e de 14,1% em relação a setembro. Já as falências apresentaram redução de 2,6% e 25,5% respectivamente sobre outubro de 2007 e setembro último.

Fonte: Redação Terra (3.11.2008)

 

Pagar à vista é ótima opção para compras no final de ano

Nem tudo é prejudicial na crise. Pensando em não diminuir a atividade econômica do setor as lojas de varejo estão fazendo promoções e reduzindo os valores para o consumidor que paga à vista.
Os pagamentos à vista voltaram a ter condições interessantes porque geram caixa para as empresas, principalmente em lojas que também fazem crediário (elas têm mais solidez para conceder crediário para outros consumidores).
Esperar, ter o dinheiro na mão e comprar a vista vale ainda mais a pena uma vez que os juros para o consumidor estão subindo muito, em decorrência da crise de crédito internacional, com taxa real projetada para o ano que vem de 8%. Mas o aumento dos juros e a redução nos prazos dos financiamentos têm atingido principalmente as lojas que vendem bens de maior valor, como o setor automobilístico, que está intensificando as promoções.
Já o consumidor de baixa renda não está mudando seu padrão de consumo. Ele continua comprando o que cabe no orçamento, sem sentir a crise.

Fonte: www.estadao.com.br (Giuliana Vallone)

 

Consumidor ainda honra compromissos com varejo

O consumidor brasileiro que tem crédito direto com o varejo ainda não deixou de honrar seus compromissos por causa da crise financeira internacional.
Isso acontece porque a renda acompanhou de alguma maneira a maior oferta de crédito. Assim, o consumo foi estimulado nos últimos dois anos, principalmente o de bens duráveis, como automóveis, motos, eletrônicos e computadores.
A inadimplência ainda não é observada no crédito direto com o varejo, mas naquele tomado nas financeiras, a realidade já é diferente. Isso porque estas instituições seguiram um rumo mais agressivo na concessão de crédito, oferecendo linhas mais caras e de maior risco.
Em relação ao consumo, em virtude da recente crise financeira, o estado de espírito do consumidor vai ser diferente na época do Natal. O resultado será aquém do esperado, seguindo recuo no índice de confiança do consumidor, que começou a atingir principalmente os segmentos de classe mais alta e, gradativamente, deve se espalhar para outros setores de mercado.
Por outro lado, a renda do brasileiro não vai sofrer grandes alterações até dezembro, bem como o índice de emprego. No crédito, porém, vai se consolidar o cenário de redução de prazos e aumento das taxas de juros de acordo com o período de financiamento.

Fonte: INFOMONEY (29.10.2008)

 

Crise faz Renner desistir de comprar a Leader

O momento é de muita cautela e frieza antes de dar um grande passo. Pensando nisso a Renner desistiu de comprar a Leader Participações. O fato ocorreu amigavelmente e “sem quaisquer ônus ou encargos de qualquer natureza  para as partes contratantes”.
A intenção da compra havia sido anunciado em 4 de setembro de 2008. A proposta incluía a aquisição de 100% das ações Leader (sociedade holding, titular de 100% das ações da Leader Varejo e 50% das ações da Leader Crédito) por R$ 670 milhões. Os outros 50% da Leader Crédito, pertencentes ao Banco Bradesco, também estavam sujeitos a negociações.

Fonte: InvestNews (28.10.08)

 

Indústria de eletroeletrônicos interrompe venda para o varejo 

O setor de eletroeletrônicos, principalmente de computadores e celulares, passa por um momento delicado por conta da crise financeira mundial. Com a grande flutuação da cotação do dólar, as empresas não conseguem definir o preço de venda para o varejo e, em razão disso, a maioria suspendeu as negociações, cumprindo apenas os contratos já fechados, sem aceitar novos pedidos.
O motivo é que boa parte dos componentes utilizados na fabricação de celulares e PCs são importados e têm seu preço taxado em dólar.
As empresas não conseguem definir preços porque, se estabelecem valores levando em conta as altas cotações do dólar das últimas semanas, podem perder vendas para seus concorrentes, e, caso vendam os produtos utilizando um valor mais baixo para o dólar, podem ter prejuízos.
Com esse cenário, as vendas de Natal no setor de eletroeletrônicos serão afetadas negativamente.

Fonte: TI Inside (27.10.08)

 

Crédito mais restrito em redes de varejo

Como reflexo da crise financeira mundial os prazos de pagamento nos financiamentos do varejo já estão caindo fortemente e deverão ficar limitados a 12 meses na maioria das lojas.
A rede Ponto Frio está restringindo a quantidade de produtos com pagamento em dez vezes sem juros e aqueles com prazo de financiamento em 24 meses com correção. A empresa está revendo planos de investimento, que previam até então a abertura de 70 lojas em 2009.
As redes Renner e Marisa aumentaram a taxa média de juros de 5,99% para 6,99% e a Riachuelo estaria planejando o mesmo.
Para evitar perdas em vendas, algumas empresas devem optar por uma pequena redução nos lucros em vez de remarcar preço, iniciativa que vem sendo tomada pela Americanas.
Mas, na contramão da tendência do varejo, há lojas que estão ampliando o parcelamento. Assim fez a Casa Show ao aumentar seu pagamento até 24 vezes iguais no cartão da loja (com juros de 2,99%).

Fonte: O Globo (18.10.08) (Geralda Doca, Henrique Gomes Batista e Fabiana Ribeiro)

 

Expediente

“Marketing de Varejo” é o boletim eletrônico do Núcleo de Marketing de Varejo da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Produção: AJO - Agência Experimental de Jornalismo. Direção de Área dos Cursos de Comunicação Social: Profa. Ms. Ana Claudia Marques Govatto. Coordenação Editorial: Prof. Ms. Paulo José Destro. Coordenação AJO: Prof. Ms. Flávio Falciano. Redação: Guilherme Renso, Isaac Ramiris, Nadjara Rodrigues, Raissa Rossini, Aline Santiago, Amanda Dotto (Estudantes do curso de jornalismo).
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