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Período Atual: 01/09/2008 a 30/09/2008
Período Base: 01/08/2008 a 31/08/2008
A inflação apurada na região do ABC Paulista pelo Instituto de Pesquisas da USCS no mês de setembro registrou elevação de 0,19%. Esse resultado não chega a causar surpresa por sua magnitude, pois este fato já vinha sendo identificado desde o final do mês de agosto quando a previsão no sentido de alta para alguns grupos já demonstrava que o ímpeto de crescimento aconteceria de modo bastante contido.
Com a agregação dessa taxa, a evolução da inflação regional ao longo do ano atinge 4,51%, enquanto o resultado dos últimos doze meses confirma a retomada da trajetória descendente com o acumulado de 6,65%. Com a constatação deste novo patamar inflacionário a média mensal de inflação no Abc Paulista ao longo desse ano situa-se em torno de 0,49%, enquanto nos últimos doze meses essa taxa salta para 0,54%. Extrapolando-se essa média dos últimos doze meses como referência para o próximo trimestre do ano seguramente poderemos atingir uma taxa de inflação um pouco abaixo do chamado teto da meta inflacionária.
Essa apuração evidencia de forma mais intensa o reflexo dos grupos alimentação, habitação, vestuário e despesas pessoais, demonstrando principalmente que os avanços apontados nesses dois últimos grupos não foram suficientes para impedir um crescimento um pouco menor dessa taxa de inflação comparativamente aquele resultado mensurado no mês de agosto. No entanto, devemos considerar que, mesmo não revertendo esse movimento de crescimento da taxa de inflação, esses grupos registraram crescimento relevante, principalmente dado a sua importância na composição do indicador. No quadro abaixo, pode-se vislumbrar de forma mais fácil o comportamento de cada um dos grupos que compõe o indicador, a evolução mensal ao longo deste ano, bem como as mudanças de cenários ocorridas na região neste mesmo período.
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Setembro 2008 |
Influência |
Ipc-Uscs/Abc 2008 |
Alimentação |
-0,13% |
-0,05% |
Janeiro 0,72% |
Transportes |
-0,03% |
0,00% |
Fevereiro -0,03% |
Educação |
0,08% |
0,00% |
Março 0,28% |
Saúde |
0,29% |
0,01% |
Abril 0,53% |
Habitação |
0,39% |
0,07% |
Maio 1,09% |
Vestuário |
0,44% |
0,04% |
Junho 0,99% |
Despesas Pessoais |
0,58% |
0,12% |
Julho 0,34% |
Índice Geral |
0,19% |
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Agosto 0,33% |
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Setembro 0,19% |
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Evolução em 2008 4,51% |
O segmento de alimentação continua respondendo de modo preponderante pelo nível de acomodação observado durante esse período na região do Abc Paulista. A magnitude registrada por esse grupo foi capaz de gerar de modo isolado um incremento no sentido de taxa de inflação da ordem de (-0,05%). É importante salientar que esse segmento embora tenha sido responsável pelo maior incremento no sentido de conter o nível de crescimento do índice geral ao longo dos levantamentos mais recentes, observa-se uma tendência de reversão desse comportamento para esse último trimestre do ano. Essa expectativa vem sendo assegurada em função da redução no ritmo deflacionário daqueles alimentos consumidos principalmente no ambiente domiciliar, notadamente os alimentos industrializados e os semi-elaborados. Esse fato é visivelmente mais fácil de perceber ao compararmos os resultados obtidos no período anterior principalmente em relação aos semi-elaborados quando o Ipc-Uscs captou variação de (-0,57%) contra uma deflação na casa de (-0,09%) agora em setembro. Essa desaceleração no sentido de queda no subgrupo está fortemente presente nos preços principalmente nos diversos cortes da carne bovina que ficaram mais caros 0,79%, além da carne de frango que em média registrou elevação de 2,70%. Nos industrializados esse comportamento altista é registrado principalmente em relação aos derivados da carne, doces e biscoitos e o pescados cuja elevação foi de 1,49%, 2,40% e 1,51% respectivamente. Nos “in natura” a deflação que vem sendo registrada ainda reflete as quedas nos preços das verdura que em média ficaram mais baratas 3,62% para o consumidor dessa região.
Fora desse ambiente domiciliar, o Ipc-Uscs continua captando importante pressão no sentido de alta do indicador. Comparativamente ao resultado apontado no mês de agosto, observa-se que esse incremento foi um pouco maior (alta de 0,83% contra 0,73% capturada anteriormente). É importante destacar que esse subgrupo exerce influência sobre o índice geral um pouco menor, contudo contribuiu significativamente para empurrar a taxa no sentido positivo.
A observação do comportamento dos gastos no segmento de habitação revela que o comportamento altista observado no período anterior já foi em sua maior parcela absorvido pelo segmento. A magnitude da taxa apontada nesse levantamento é significativamente menor quando comparada aquela captada no ponto de inflexão da curva de crescimento (variação de 2,02% em agosto, contra uma alta da ordem de 0,39%). Esse movimento ascendente refletia notadamente o impacto do reajuste nos preços de uma parcela dos serviços públicos. Um fator que contribuiu no sentido de impedir um recuo mais acentuado está relacionado ao avanço no subgrupo de aluguéis residenciais cuja elevação média para o período foi da ordem de 0,43%. No segmento de saúde o indicador também apontou alta significativamente menor de 0,29%. Essa redução é efeito da acomodação no subgrupo serviços médicos, embora ainda seja possível identificar alguns resquícios de pressão no sentido de alta notadamente em relação aos serviços de análises laboratoriais e consultas oftalmológicas.
Com relação ao segmento de vestuário, observamos a captação de uma taxa positiva, evidenciando o início de uma provável pressão que o grupo exercerá na formação do índice geral a partir de agora. A alta de 0,44%, embora não seja uma taxa cuja magnitude expresse ainda um avanço significativo, torna-se importante à medida que tal resultado passa a ser confrontado com a apuração observada no mês de agosto cujo crescimento foi negativo (-0,61%). No cerne desse comportamento, identificamos os artigos destinados ao público feminino e infantil como principais fontes que alimentaram o crescimento dessa taxa. Em relação ao grupo de despesas pessoais, embora, a magnitude observada nesse último levantamento já expressa uma tendência de queda, ainda assim, esse segmento foi responsável pela parcela de maior incremento incorporada ao índice geral a partir da alta média de 0,58%, ancorados nas majorações observadas nos artigos de fumo (alta de 2,25%), aliado ao comportamento altista capturado nos artigos de higiene pessoal que ficaram mais caros para o consumidor da região em 0,97%. De modo isolado o grupo responde por uma taxa de inflação da ordem de 0,12%, o que significa que para esse levantamento o grupo assume a posição de maior fonte de influência sobre o índice geral.
Perspectiva:
Esse mês de outubro deve ser marcado por uma sensação de estabilidade em torno do atual cenário no que diz respeito ao contexto inflacionário. Uma possível retomada muito gradual do nível de crescimento da taxa de inflação na região provavelmente deverá ser adiada, dada a conjuntura que cerca a economia, notadamente no ambiente externo. Esse quadro permite afirmar que do ponto de vista do consumidor, levando-se em consideração as incertezas que cercam a economia, é possível vislumbrar no curto prazo taxa de inflação bastante comportada principalmente quando comparadas àquelas observadas em meados do segundo semestre. Entretanto, a intensificação no processo de crescimento dos preços dos artigos de vestuário, como condição de entrada da nova coleção voltada para a estação primavera-verão poderá pressionar ligeiramente o indicador. É importante destacar que nesse contexto não há expectativa de que ocorra uma alteração geral para o cenário de preços, e sim, pressões pontuais que por si só podem promover uma ligeira elevação na taxa do Ipc-Uscs.
USCS/INPES
Lúcio Flávio Dantas– Assistente de Coordenação do IPC-USCS/ABC
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