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O último levantamento da inflação nesse ano registrou taxa um pouco acima da expectativa traçada inicialmente para esse período. O mês de dezembro termina com o IPC-USCS/ABC apontando uma taxa de 0,81%, o que trouxe a média inflacionária para a casa de 0,51%, enquanto o acumulado no ano avança para 6,30%. Os principais responsáveis pelo resultado da inflação no mês de dezembro para o conjunto de bens e serviços consumidos pelas famílias da região com renda que varia entre dois e quatorze salários foram os grupos alimentação habitação e vestuário. Esse resultado corrobora com aquela expectativa de que historicamente o mês de dezembro é marcado por um ritmo de crescimento dos preços significativamente maior quando comparado ao levantamento de outros períodos, muito embora, esse comportamento dos preços também já havia sido observado no início desse último trimestre do ano. O levantamento aponta que em praticamente todos os grupos do indicador a tendência delineada ao longo do trimestre foi seguida de perto, exceto quando se trata do segmento de vestuário que reverteu à tendência de retração e passou a pressionar o indicador no sentido de alta.
Do ponto de vista do consumidor o aspecto mais favorável desse cenário guarda estrita relação com o comportamento observado no segmento de despesas pessoais, educação, habitação e até mesmo alimentação, que muito embora não tenham deixado de pressionar o índice geral, o fizeram de modo pouco ou menos expressivo. Por outro lado, o segmento de vestuário passou a desempenhar papel mais importante quando se refere á capacidade de exercer maior influência em relação ao crescimento da inflação na região do ABC Paulista. No quadro abaixo é possível observar como se deu a apuração no mês de dezembro para cada um desses grupos que compõe o IPC-USCS, bem como o resultado de seu comportamento ao longo de todo esse ano.
Evolução do IPC-USCS/ABC em 2010 (valores em %)
|
|
Jan |
Fev |
Mar |
Abr |
Maio |
Jun |
Jul |
Ago |
Set |
Out |
Nov |
Dez |
2010 |
|
|
Alimentação |
0,93 |
1,02 |
0,82 |
0,58 |
0,29 |
-0,23 |
-0,47 |
0,33 |
1,16 |
2,02 |
2,11 |
1,44 |
10,43 |
|
|
Habitação |
0,22 |
0,61 |
0,23 |
0,61 |
0,15 |
0,29 |
0,40 |
0,45 |
0,32 |
0,29 |
0,51 |
0,51 |
4,69 |
|
|
Desp. Pessoais |
0,91 |
0,11 |
0,07 |
0,02 |
0,07 |
0,88 |
0,89 |
0,37 |
0,15 |
0,20 |
0,31 |
0,27 |
4,33 |
|
|
Vestuário |
-1,77 |
-1,94 |
1,07 |
3,38 |
3,05 |
1,11 |
-1,43 |
-0,77 |
-0,23 |
0,03 |
-0,54 |
1,34 |
3,18 |
|
|
Transportes |
1,21 |
1,49 |
-0,48 |
-0,39 |
-0,38 |
-0,08 |
0,29 |
0,06 |
0,23 |
0,72 |
0,25 |
0,36 |
3,31 |
|
|
Saúde |
0,79 |
0,02 |
0,60 |
1,64 |
0,80 |
0,33 |
-0,23 |
0,00 |
0,29 |
0,57 |
0,09 |
0,26 |
5,27 |
|
|
Educação |
5,67 |
0,03 |
0,07 |
-0,05 |
0,18 |
0,05 |
0,12 |
0,15 |
0,09 |
0,09 |
0,27 |
0,28 |
7,03 |
|
|
Índice geral |
0,73 |
0,51 |
0,38 |
0,60 |
0,37 |
0,24 |
0,01 |
0,22 |
0,50 |
0,90 |
0,86 |
0,81 |
6,30 |
|
No levantamento atual, a expectativa para o mês foi amplamente superada principalmente em função do comportamento dos preços do segmento de vestuário, que na segunda metade desse período já passou a registrar taxa diferente daquela tendência delineada em meados de novembro. Parte desse comportamento é resultante da expectativa de aquecimento da demanda esperada para esse período. No grupo é possível observar nos artigos voltados ao público feminino, cuja taxa exprime elevação da ordem de 2,27% o principal foco dessa pressão. Além disso, os artigos do vestuário masculino adulto e os produtos de joalheria também registraram crescimento significativo da ordem de 1,12% e 2,33% respectivamente nesse levantamento.
Em relação ao grupo transportes observou-se elevação de 0,36%. Essa taxa passou a apontar novamente o movimento de crescimento nos preços do álcool combustível a partir do final da primeira metade do mês de dezembro cujo aumento médio para esse segmento culminou com uma elevação de 4,77%, enquanto a gasolina apontou alta de 0,24%. O IPC ainda registrou movimento crescente nos preços dos serviços de funilaria e pintura e reparos mecânicos, além de captar alta média de 1,59% no preço do óleo lubrificante para motor. O segmento de saúde também contribuiu de modo importante para manter a taxa de inflação no patamar atual ao registrar crescimento de 0,26%, ancorado a partir das altas observadas nos serviços médicos, notadamente consultas oftalmológicas e serviços básicos de odontologia.
Já o grupo que agrega os gastos habitacionais teve seu resultado afetado pelas majorações registradas principalmente nos subgrupos de manutenção no domicílio cuja elevação foi da ordem de 0,39%, dos aluguéis residenciais que subiram em média 0,66%, aliados a pressão no sentido alta observado nos artigos de cama mesa e banho que apresentaram aumento médio de 2,10% para o consumidor da região. O segmento de educação registrou praticamente o mesmo nível de crescimento com alta de 0,28% contra uma taxa ligeiramente menor no mês de novembro.
No que concerne ao segmento de alimentação, embora o resultado anual tenha ficado acima de qualquer previsão realizada no início do ano, reflete em boa medida a junção de uma série de fatores que em algum grau de importância influenciaram no comportamento desse segmento nos mercados doméstico e internacional. Esses fatores refletem de certo modo a melhoria no nível de emprego e renda, como também maior acesso ao sistema de crédito no mercado doméstico, passando por problemas climáticos que desencadearam mesmo que temporariamente algum desequilíbrio entre oferta e demanda para alguns produtos ou grupos de produtos em um desses mercados ou em ambos.
O que se observou ao longo do ano foi um movimento menos contido de elevação nos preços dos alimentos, onerando um pouco mais o orçamento doméstico das famílias residentes na região, principalmente quando se compara com a evolução da taxa de crescimento desse grupo ao longo do ano cuja alta média foi de 10,43%, em relação ao ano anterior, quando o indicador havia captado uma taxa significativamente menor da ordem de 3,05%. No levantamento de dezembro, a pressão altista decorre notadamente das variações positivas captadas nos chamados alimentos "in natura" cuja majoração média foi de 2,19%, contra uma taxa de 1,20% no período anterior, além dos industrializados que em média ficaram mais caros 1,70%. A boa noticia para o consumidor decorre do fato de o indicador já capturar expressivo recuo no subgrupo dos alimentos semi-elaborados (alta de 0,31%), contra um aumento da ordem de 4,37% em novembro. Esse recuo reflete substancialmente o movimento de queda no preço dos cereais (-2,83%), bem como o crescimento significativamente menor registrado nos diversos cortes das carnes de origem bovina e suína (crescimento médio de 1,35%, frente alta de 9,72% em novembro), associada á redução no ímpeto altista captada no preço da carne de frango. Nesse levantamento, o IPC-USCS também recebeu forte influência do subgrupo de alimentação cujo consumo ocorre prioritariamente fora do ambiente domiciliar, cujo registro de alta avançou 2,29%, e apresenta como ponto de partida as expressivas majorações observadas no preço dos lanches e das refeições que ficaram em média mais caros para o consumidor da região 2,49% e 2,12% respectivamente.
PERSPECTIVAS:
Para janeiro, espera-se costumeiramente a elevação nos preços das mensalidades escolares, de parte do Imposto Predial e Territorial Urbano, além do impacto do reajuste de parte da tarifa do transporte público na região. Nos demais segmentos que fazem composição do orçamento doméstico a presença de um comportamento estável é dado quase como certo. Registre-se, entretanto, a possibilidade de manutenção no patamar de crescimento dos preços dos produtos alimentícios notadamente aqueles cujo consumo é feito prioritariamente sob a forma "in natura". Porém, por se tratar de período de férias, quando muitas famílias estão ausentes em viagens, esperamos pressão um pouco menor por parte desse segmento, inclusive com o acirramento da competição entre diversos supermercados instalados na região, o que poderá contribuir para que o índice se mantenha no mesmo patamar de crescimento.
USCS/INPES
Lúcio Flávio Dantas - Assistente de Coordenação do IPC-USCS/ABC.
P.s. O Índice de Preços ao Consumidor do ABC - IPC-USCS será interrompidopor tempo ainda não determinadoem decorrência dos ajustes a serem implementadosem sua estrutura de ítens e de ponderação utilizados na composição do indicador geral.
Uscs - Universidade Municipal de São Caetano do Sul
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