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Índice de preço ao consumidor - IPC-Uscs/ABC

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Plano Real

LEVANTAMENTO DO MÊS DE JULHO

O Instituto de Pesquisas da USCS mensura para o mês de julho expansão na taxa de inflação significativamente menor na região do ABC ao registrar alta da ordem de 0,01% frente ao resultado do mês de junho quando o indicador apontou taxa de 0,24%. A taxa atual demonstra que a expectativa de relativa acomodação dos preços esperada para o mês acabou se confirmando e até mesmo superando a expectativa no sentido de redução da magnitude do resultado observado. Com esse quadro, a evolução da inflação regional ao longo do ano vai a 2,88%, enquanto o resultado capturado para o período dos últimos doze meses atinge 4,68%. O acumulado observado para o período de doze meses, embora menor, ainda fica ligeiramente acima quando comparado com igual intervalo no ano anterior.

Esse quadro observado no indicador de preços da região para o mês de julho continua refletindo de forma mais evidente o comportamento no sentido de retração em relação ao grupo alimentação e mais recentemente passou a contar também com a pressão no sentido de queda no segmento de vestuário. No primeiro caso, isoladamente, o segmento responde por uma deflação da ordem de 0,16%, enquanto no segundo esse recuo representa algo em torno de 0,12%. Ao apontar expressiva redução no ritmo de crescimento de preços o grupo alimentação passou a exercer papel preponderante na determinação desse cenário de preços em que a acomodação passou a representar melhor o quadro inflacionário na região do Abc Paulista.

Do ponto de vista do consumidor, atualmente o quadro de preços em relação aos alimentos é mais favorável, principalmente quando comparado aos sucessivos avanços registrados por esse segmento em meados do primeiro semestre. Nesse momento o comportamento notadamente, dos alimentos “in natura” cujo rebaixamento médio mensurado nesse levantamento foi de (-3,22%), sobretudo nos preços dos legumes, verduras e tubérculos justificam parcela significativa dessa retração no índice geral. Por outro lado, os alimentos industrializados a partir das majorações apontadas principalmente nos derivados da carne e do leite, além dos condimentos e dos panificados impediram uma queda mais acentuada na taxa desse grupo. Esse movimento de recuo que se verifica nos alimentos consumidos predominantemente no domicílio das famílias não foi seguido na mesma intensidade pelos preços da alimentação realizada fora do âmbito domiciliar que mesmo perdendo fôlego no sentido de pressionar o grupo, ainda assim apresentou avanço de 0,35%. Registre-se, que a pressão altista referenciada nos subgrupos acima não foi suficiente para reverter o quadro deflacionário no segmento de alimentação, que se instalou nesses últimos levantamentos do indicador regional de preços.

A forte pressão capturada nos artigos de vestuário até meados de junho não se repetiu nesse último mês, cuja maior expressão desse novo cenário é observada na retração do custo para o consumidor adquirir os artigos destinados tanto para o público feminino quanto o masculino que ficaram mais barato 3,22% no primeiro caso e 2,20% no segundo. Esse novo cenário se formou a partir da fragilidade de sustentação daquele patamar de preços adotado no início dessa estação mais fria, o que deflagrou a antecipação daquilo que podemos até caracterizar como um processo de promoção. Aliado a essa questão da temperatura, esse ciclo promocional antecipado deve, muito provavelmente ter ocorrido em virtude de um possível desaquecimento nas vendas no setor varejista. A partir de tal comportamento o IPC-USCS captou variação negativa de 1,43% para o grupo. No segmento de saúde o recuo de (-0,23%), antes de se caracterizar como um processo de queda nos preços pode simplesmente se adequar a um ligeiro movimento de ajuste de preços, observado principalmente nos serviços básicos de odontologia, cujo recuo médio para o período foi de 0,92%.

Em sentido contrário, o segmento de gastos com as despesas pessoais encerrou esse período registrando aceleração da ordem de 0,89%. Esse movimento é resultado principalmente dos avanços nos subgrupos de fumo e bebidas cuja alta média para o consumidor foi da ordem de 1,55%, aliado aos gastos com recreação que passaram a exercer pressão no sentido de alta com um crescimento da ordem de 1,08%. Aqui é importante destacar o reflexo da majoração do álcool combustível (etanol) sobre o custo de deslocamento das famílias a título de lazer.

Outra fonte de pressão que vem influenciando o indicador no sentido de elevação do nível de inflação foi observada no segmento de gastos como habitação que incorporou ao índice geral alta média de 0,40%, ancorada principalmente a partir do movimento altista capturado nos subgrupos de manutenção no domicílio e nos artigos de limpeza cuja elevação média foi de 0,22% e 1,14% respectivamente. Além disso, o grupo foi fortemente influenciado em virtude da pressão nos preços dos alugueis residencial que registraram crescimento da ordem de 0,51% no mesmo período. Em relação ao grupo transportes a tendência de elevação vislumbrada em meados do mês passado, vem ganhando força é já pode ser observada nessa apuração a partir do registro de alta nos preços dos serviços mecânicos cuja pressão culminou em uma variação média positiva da ordem de 1,93%, como também em virtude da mudança no quadro de preços dos combustíveis, notadamente o etanol que nesse levantamento registrou alta de 3,64% para o consumidor final.

Perspectiva:  Esse mês de agosto pode ser marcado por uma retomada muito gradual no ritmo de crescimento da taxa de inflação na região do ABC Paulista. Essa expectativa pode até parecer que caminha em sentido contrário no que diz respeito ao movimento de desaceleração observado, sobretudo nos produtos alimentícios na região do ABC Paulista. Entretanto, tal condição pode ser sustentada pelo fato de que a partir dos próximos levantamentos do IPC-USCS já estará vigorando de modo mais intenso o impacto do reajuste adotado em parcela dos chamados preços administrados que incidirão no mercado local. Ademais, esse movimento de retração registrado também no setor de vestuário tende a se reverter muito provavelmente até o final desse próximo período. Com isso é perfeitamente possível que o indicador capte variação um pouco superior se comparado a esse último levantamento.

USCS/INPES    Lúcio Flávio Dantas – Assistente de Coordenação do IPC-USCS/ABC

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