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Índice de preço ao consumidor - IPC-Uscs/ABC

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Plano Real

APURAÇÃO DA TAXA DE INFLAÇÃO FEVEREIRO 2010

 

A taxa de inflação mensurada pelo Instituto de Pesquisas da USCS para a região do Abc Paulista confirma a expectativa de desaceleração quando comparado ao mês de janeiro e registra crescimento menor da ordem de 0,51%. De modo diferente em relação a janeiro, observa-se que parcela expressiva da responsabilidade em relação ao ritmo de crescimento nos preços apontados no levantamento do mês anterior já não está exercendo tamanho impacto sobre o indicador. Essa pressão que tinha origem notadamente no segmento de educação a partir da evolução nos preços das mensalidades escolares e de uma parcela do reajuste nos serviços de saúde na região, bem como o segmento de gastos com as chamadas despesas pessoais que já não causam tamanha influência em virtude de sua incorporação ter ocorrido ao longo das últimas apurações do Ipc-Uscs, notadamente quando se trata das mensalidades escolares.

Entretanto, os grupos alimentação, habitação e transportes passam a apresentar nível de crescimento relativamente mais elevado principalmente quando comparado aos resultados dos demais grupos que compõem o indicador. Com a incorporação do atual resultado a inflação acumulada nos últimos doze meses pula para 5,24%, com média mensal da ordem de 0,43%, enquanto a taxa acumulada no ano atinge 1,25%.

O levantamento do mês de fevereiro volta a ser marcado pelo crescimento no nível de preços dos produtos alimentícios que até o final do ano passado vinham passando por um período de relativa acomodação. Esse comportamento altista foi confirmado nesta última apuração quando o IPC apontou crescimento médio de 1,02%. Essa taxa apenas confirma aquela expectativa de tendência altista que se observou no mês anterior para esse segmento. Nesse cenário, e em virtude de sua representatividade no orçamento doméstico, a incidência dessa variação foi suficiente para gerar uma inflação da ordem de 0,34%.

Um dos avanços mais importante para o crescimento dos preços dos produtos alimentícios foi observado no subgrupo de produtos industrializados cujo aumento foi da ordem de 0,92%, frente uma elevação de 0,36% no mês imediatamente anterior. Nesse contexto é importante destacar o comportamento de alguns produtos a exemplo do açúcar refinado cuja alta foi de 14,49%, do pão francês alta de 1,89%, da manteiga fresca 2,57%, do queijo tipo parmesão 2,27%, além do macarrão e do molho de tomate que ficaram 2,47% e 1,47% respectivamente mais caros para o consumidor. Em relação aos produtos semi-elaborados, podemos afirmar que de certa forma estes contribuíram em sentido contrário ao primeiro, impedindo que a taxa de crescimento do grupo ficasse acima da registrada. Dentre os produtos do segmento, o destaque fica por conta do comportamento deflacionário observado no preço dos diversos cortes das carnes bovinos e suínos (queda de 1,19%), bem como em relação à de frango que registrou em média crescimento negativo de (0,81%). Entretanto nesse mesmo segmento de produtos, o Ipc também captou forte pressão no preço do leite tipo longa vida 5,74%, bem como no preço do arroz cuja alta média foi de 6,67%. No que concerne aos produtos “in natura”, a pressão altista, embora menor, ainda pode ser considerada bastante expressiva (era 3,07% e passou para 2,59%em fevereiro) e está mais presente nas verduras e legumes cuja alta média foi de 16,00% e 7,07% respectivamente, além dos tubérculos cuja elevação foi da ordem de 2,27%. Em contraposição a esses aumentos o registro deflacionário de 0,01% nos preços das frutas frente uma aceleração da ordem de 3,68% no mês de janeiro é a posição mais favorável do ponto de vista do consumidor.

No grupo transportes o IPC captou alta de 1,49% frente uma elevação de 1,21% em janeiro. Esse avanço se deveu principalmente ao fato de que em uma parcela do transporte público na região já vigora novo patamar de valor para tarifa. Aliado a esse aspecto, o indicador também continuou a receber influência do segmento de transportes próprios. Esses aumentos são mais evidentes nos serviços de reparos mecânicos cuja alta média foi de 2,73%, nos serviços de higienização de veículos alta de 1,77%, além da variação no preço da gasolina e do álcool combustível que registraram avanço de 1,53% e 1,21% respectivamente.

O grupo habitação apresentou taxa de crescimento que difere muito do ponto de vista de magnitude daquela observada no levantamento anterior ao registrar crescimento da ordem de 0,61% diante de uma taxa menos expressiva em janeiro quando o Ipc-Uscs capturou alta de 0,22% para esse grupo de produtos e serviços. Tal comportamento reflete notadamente as majorações capturadas nos chamados aluguéis residenciais que ficaram mais caros em média 0,59% na região, como também no subgrupo de manutenção no domicílio que registra taxa de crescimento de 0,86%.

As despesas pessoais também passaram a exercer influência significativamente menor na formação do índice geral neste último levantamento. Com alta de 0,11% esse grupo sofreu a influência, embora residual, dos gastos com combustíveis em viagens durante os finais de semana, cuja taxa de crescimento passou de 6,03% em janeiro para 1,47% nesse último levantamento quadrissemanal. Aliado a isso o subgrupo de serviços pessoais também pressionou o índice geral a partir da majoração média de 0,75%. Por outro lado, todos esses subgrupos vinham pressionando fortemente a taxa do grupo, no sentido de alta, fato que não se repetiu nesse novo período de apuração.

O segmento de educação deixa de ser de forma isolada o grande vilão da inflação na região a partir da incorporação do impacto do reajuste no preço das mensalidades escolares. Esse comportamento relativamente estável também foi observado nos gastos com saúde cujo registro de alta passa a ser de apenas 0,02%. Em relação aos artigos de vestuário (-1,94%), a desaceleração é resultado do processo de promoção que o setor vem realizando desde meados de janeiro. Nesse cenário, observa-se em relação aos artigos voltados ao público feminino que os recuos nos preços desses produtos foram intensificados, o que representa aqui uma retração média de (-4,14%), enquanto os preços dos calçados e dos artigos infantis foram reduzidos em média respectivamente (-0,71%) e (-4,47%) nesse mesmo período.

PERSPECTIVAS: Nos próximos levantamentos podemos esperar um cenário com significativa semelhança em relação ao que vislumbramos no último mês. Entretanto, a intensificação da pressão oriunda do grupo de transportes, aliado a um possível estreitamento no processo promocional observado no segmento de vestuário podem corroborar para uma modificação na magnitude de apuração do indicador. Entretanto, essa evolução da taxa de inflação terá no segmento de alimentação o ponto de referência. De uma forma geral, não há motivos no cenário macroeconômico para que se espere uma maior elevação da taxa de inflação nos próximos dois meses. As variações estão mais associadas aos acontecimentos pontuais.

USCS/INPES                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Lúcio Flávio Dantas – Assistente de Coordenação do IPC-USCS/ABC

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